quarta-feira, 4 de abril de 2018

O golo de Ronaldo não é só um espetáculo. É o fim

Antes de começarmos, quero que saibam que o que vão ler aqui tem muito pouco a ver com o pontapé de bicicleta de Cristiano Ronaldo contra a Juventus. Foi um golaço, vamos vê-lo mil vezes e, daqui a muitos anos, vamos dizer onde estávamos e qual foi a nossa reação quando o vimos. Até aqui não temos nenhum problema, o futebol existe para nos dar momentos destes e ainda bem que hoje não se fala de outra coisa.

Portanto, estamos todos de acordo que o golo de Ronaldo foi um espetáculo. O salto, o gesto técnico, a força. Tudo perfeito. E logo nuns quartos de final da Liga dos Campeões, a melhor competição de clubes do mundo, vista por milhões em todo o planeta. É difícil imaginar melhor palco, melhor momento. Para ele, para a sua equipa, para os seus adeptos e para os amantes de futebol. A não ser que olhemos para tudo o que estava à volta e ao que nos levou até ali.

Não sei quantas vezes assisti num estádio a jogos da Liga dos Campeões, mas ainda hoje me arrepio com aquele hino. E não é propriamente por apreciar música clássica. O hino da Champions toca-me porque me diz: “Estás aqui, o teu clube está entre os melhores”. E, naquele momento, não penso em quantos milhões podem entrar no nosso cofre em caso de vitória. Nem quero saber dos patrocínios, dos likes no Facebook ou de quem está do outro lado. Seja o Schalke, o Real Madrid ou um surpreendente Carcavelinhos; seja um Ronaldo, um Messi ou o equivalente a um Marega no adversário. O que eu quero mesmo, mesmo, mesmo é ganhar. Seja de pontapé de bicicleta, com a mão ou com um golo na própria baliza.

Mas hoje, quando toca o hino da Liga dos Campeões, já sei o que nos espera. Lutamos muito na fase de grupos, chegamos aos oitavos e ficamos todos entusiasmados com o sorteio, porque vamos a um estádio lá fora cheio de público e vamos receber em nossa casa um Salah qualquer que nos habituamos a ver na televisão a marcar grandes golos. É uma sensação incrível, aquela de andar a ver voos baratos para acompanhar a nossa equipa na Liga dos Campeões. “Estás aqui, o teu clube está entre os melhores”. VAMOS A ELES! NÓS ACREDITAMOS! ESTAMOS JUNTOS!

Ora, o problema é que a Liga dos Campeões só nos quer até esse exato momento. Nós apenas servimos para ser eliminados por um Liverpool qualquer, quando temos a sorte de não nos calhar logo um dos serial killers. Agora, o que aquele hino nos está a dizer é: “Boa sorte para não seres goleado”. E lá ficamos de braços caídos quando tal acontece, ou saímos de cabeça erguida quando a Juventus só nos ganha a jogar com mais um. Uau, que grande prestação nossa! Que orgulho! Os nossos rivais nem nos podem gozar porque nunca chegariam até aqui! Somos incríveis! Coitados deles que nem puderam ver ao vivo aquela grande exibição do Dybala! Que privilégio!

E depois passamos a ver os jogos na televisão e, enquanto ouvimos o hino, vemos esses Liverpool ou Juventus alinhados, com o mesmo ar de nós contra eles: “Boa sorte para não seres goleado”. Surpresa das surpresas, normalmente são. A Liga dos Campeões precisa deles porque valem muitos milhões, mas as meias-finais estão já aí e Deus nos livre de não ter os melhores jogadores do mundo e as equipas que interessam lá. Real Madrid, Barcelona, Bayern. Agora o Manchester City, mas idealmente o PSG também, às vezes uma Juventus ou um Dortmund e de vez em quando um “pequeno” para isto parecer uma competição. Está feito, agora lutem entre vocês, digladiem-se lá os Ronaldos e os Messis, queremos ver escorrer o sangue das centenas de milhões de euros que valem os vossos plantéis, não interessam os 4x3x3 ou 4x4x2, se defendem bem ou pressionam em equipa, o que rende é sentirmos que estamos a ver o melhor futebol do mundo, quando na verdade estamos a ver o fim dele.

O golo de Ronaldo é um espetáculo, o efeito Messi no Barcelona é um espetáculo, o Manchester City de Guardiola é um espetáculo. Só que é só para alguns. É só para os clubes milionários, que já olham para os campeonatos nacionais como uma série de amigáveis entre os jogos da Liga dos Campeões e o mercado de transferências. E é só para os adeptos ricos, que têm dinheiro para ir ver os jogos a preços exorbitantes. Também nos chega a nós, que vemos aquele pontapé de bicicleta na televisão e comentamos para o lado: “Foda-se, que golaço”. E esse é o maior privilégio que nos deixam ter: vê-lo, partilhá-lo nas redes sociais. Mas dificilmente o poderemos viver.

A Liga dos Campeões tornou-se o recreio de três ou quatro equipas que nos deixam bater-lhes palmas ao longe. Ou então temos o azar de ser adeptos de um dos clubes que consegue chegar mais longe. E aí, se tivermos dinheiro para ir ao jogo, se os bilhetes não forem todos para patrocinadores, empresas e conhecidos, temos duas hipóteses: ou vemos Ronaldo marcar um golo de pontapé de bicicleta e nos esquecemos do que a nossa família nos ensinou o que é o nosso clube, de todas as picardias na escola e no trabalho com os adeptos de outros clubes, de tudo o que significa apoiar e sentir um clube todos os dias da nossa vida, e aí sim, levantamo-nos, batemos palmas e comentamos para o adepto ao lado, que está a chorar porque estamos a perder: “Foda-se, que golaço”. Ou então deixamos cair os braços, as lágrimas vêm-nos aos olhos porque a eliminatória está resolvida e ainda gritamos a pedir falta sobre o defesa devido à altura do pé. Porque o nosso clube está sempre à frente de qualquer golaço.

O que me custa é que os adeptos (?) da Juventus que optaram pela primeira hipótese hoje também seriam os adeptos (?) do FCPorto que aplaudiriam aquele golaço de Cristiano Ronaldo, ainda no Manchester United, contra nós. Por momentos, não só se esqueceriam de um fator essencial no futebol (há uns que jogam contra outros, de facto), como ainda iriam ficar contentes por ter lá estado naquele momento inesquecível. Porque querem o espetáculo, a ópera, um bom filme, em vez de ganhar. Ao contrário de outros, malucos como eu, que o iriam insultar e pedir falta no início da jogada (já nem me lembro bem, mas tenho a certeza que seria admissível).

Já não somos muitos, e temo que sejamos cada vez menos. Hoje vejo as nossas crianças a torcerem pelo Real Madrid como se tivessem nascido na capital espanhola, sabem o plantel e os números nas camisolas da mesma maneira que sabem quantos milhões custaram, ou quanto vale a cláusula de rescisão, ou quantos seguidores têm nas redes sociais. E eu adoro que haja futebol a toda a hora nas televisões, computadores ou tablets, adoro o acesso massificado a este desporto, mas torcer? Torcer a sério? Nem sabem o que significa. Ninguém lhes diz, mas na verdade não têm clube. Têm espetáculo. Não vão a Paços de Ferreira debaixo de um temporal porque a essa hora o Ronaldo pode estar a marcar um hattrick a uns coitados que têm o azar de ele estar a aquecer para a Liga dos Campeões. E sim, é muito mais provável que, ao ficarem em casa, possam ver um pontapé de bicicleta de um dos melhores jogadores do mundo, em vez de arriscarem esperar por um gesto técnico de excelência do Marega. Mas estão a perder o melhor.

Adoro futebol, mas amo o meu clube. Tenho imenso prazer ao ver Messi, mas só sofro com o meu FCPorto. Aprecio o golaço de Ronaldo, mas celebrarei com certeza mais um canto ganho na próxima jornada. Vou querer ver os melhores no Mundial, mas estarei mais atenta às transferências dos meus. Hoje vou falar muito do pontapé de bicicleta, mas ninguém vem ter comigo a dizer: “Viste aquele golaço?”. Não, já sei que vão perguntar-me se já recuperei do Restelo, ou gozar por já não estar em primeiro no campeonato. Aparentemente, eu não sirvo para comentar grandes lances de futebol, mas sou a amiga ou colega perfeita para desabafar sobre o FCPorto. E acreditem que fico muito orgulhosa com isto.

Portanto, resumindo, a Liga dos Campeões está a caminhar irremediavelmente para uma NBA, em que muitos querem participar, mas na verdade já sabemos que só dois ou três interessam, em que os anúncios já são tão ou mais importantes quanto o desporto, em que meia dúzia de Globetrotters fazem uns afundanços e o pessoal se levanta e dá gritinhos de excitação e em que os “adeptos” não são mais do que clientes que vão adquirir camisolas, pipocas e fotografias para as redes sociais. Não interessa se são do Real Madrid, da Juventus, turistas estrangeiros ou grandes empresários de marcas associadas à competição. O que interessa é que batam palmas quando o Cristiano Ronaldo resolver uma eliminatória sozinho com um pontapé de bicicleta e ainda vão contentes para casa porque lhes deram o que queriam: espetáculo, não paixão.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Um derby moderno

Começa tudo no “Vamos abanar as cartolinas” que o speaker tem que gritar dezenas de vezes antes da entrada das equipas. Cartolinas colocadas pelo clube, compondo painéis completamente banais e sem graça, como se estivéssemos a mandar uma mensagem para o espaço e não a receber um Benfica-Sporting. É um Benfica-Sporting, jogo de rivais, de histórias mil, de várias contas para ajustar. E nós estamos com umas cartolinas na mão, o speaker grita para nós a abanarmos (para quê? Para fazer vento? Não percebo) e há uma música dos Da Weasel a tocar que é tão má, tão má, tão má, que achava justa a interdição da Luz por 2 jogos só por aquilo tocar. Os lagartos cantam qualquer coisa, a Luz quer responder, mas tudo se perde debaixo da batida irritantemente alta da música. Ninguém perde tempo com picardias antes do jogo – é inútil, a música não deixa. É como se metêssemos música alto no meio de um momento mais tenso de uma cimeira israelo-árabe para disfarçar.
Depois voa a águia – que já nem é a mesma águia – até aterrar no emblema, gesto já repetido mil vezes, que imagino que possa ser especial para o turista chinês que está no Estádio da Luz, mas que de tão repetido já nem motiva sequer uma assobiadela dos rivais. Repetimos a piada misturada com sonho de imaginar que a águia passa por cima dos lagartos e os metralha de fezes, mas ouvimo-nos mal, o speaker está a gritar.




Em 2014 fomos à Argentina, de lua-de-mel, eu e a C. (este esclarecimento foi deveras importante, não fossem vocês achar que eu tinha tido outra lua-de-mel) e fomos a um San Lorenzo – Rosario com um guia, no meio de alguns turistas (porque só assim arranjámos bilhetes). O guia era porreiríssimo, do Boca e daqueles gajos que curtia o jogo e tinha a ingrata tarefa de levar gringos a uma coisa que os argentinos vivem com uma intensidade maradoniana, que é o futebol. Conversa puxa conversa (a selecção não me diz nada e outros temas recorrentes entre doentes) e o guia diz-me que teve que levar um grupo como o nosso ao Monumental no dia em que o River desceu.
“Tu estavas lá? No Monumental?"
“Sim”
“Melhor dia da tua vida?”
“Sim. Foi incrível. Não trocava a descida do River por uma Libertadores do Boca. Mas durante o jogo era impossível estar feliz. Havia gente a chorar. Velhos a chorar. Tive que explicar aos turistas que iam comigo que não podiam manifestar-se, que não podiam tirar fotos. Seria como tirar fotos num funeral. Aquilo era um funeral.”

O senhor do Chelsea que filmou o vídeo acima não levou sequer um “fuck off”. Os adeptos do Sporting que festejaram o golo ao pé de mim também não. E isso, para mim, é começar aos berros no meio de um funeral. Em 2013, vi um New Orleans Pelicans – Oklahoma City Thunder no pavilhão, em New Orleans. O Durant fez uma jogada brilhante que culminou com um afundanço e o pavilhão aplaudiu-o. Nunca mais me esqueci. Apeteceu-me levantar-me e gritar “Fechem isto! Vocês estão a fazer tudo mal! Isto é um desporto, porra, comportem-se como tal!”. Sempre que alguém diz que o futebol se devia transformar na NBA é daqueles aplausos que me lembro. Eu só concebo bater palmas a um golo de um adversário do Benfica se for um pontapé de bicicleta do meio campo, com o resultado em 7-0 para nós, no último jogo do campeonato, em que o título já nos está entregue. E mesmo assim vou refilar primeiro com o guarda-redes, que estava adiantado estupidamente.
Vários adeptos do Sporting na Luz – no meio de adeptos do Benfica - festejaram o golo, tiraram fotos e selfies. Vai-se ao futebol como se vai um festival. Fotografa-se a Luz, num derby, como se fotografa o último prato do restaurante da moda antes de se colocar numa rede social. Há um cheiro a turismo no ar que nos torna a nós, os doentes, os que quando pensam num Benfica-Sporting dizem imediatamente Neno-Veloso-Mozer-Hélder-Kennedy-Abel Xavier-Paneira-Schwartz-Isaías-João Vieira Pinto-Aílton ridículos. Somos a fauna que vem ser fotografada. No golo do Sporting há saltos, como se o artista preferido estivesse a tocar o último single. Não há sequer aquele grito descontrolado de um adepto sportinguista que visse a equipa a ganhar no estádio do rival, é tudo asséptico, limpinho, desapaixonado. Fico doente a olhar para estas pessoas. No primeiro Betis-Sevilla que vi ao vivo, um gajo do Sevilla, de cachecol, sentou-se no meio da bancada dos sócios do Betis abaixo de onde eu estava. Ninguém lhe bateu, ninguém lhe chamou nomes. Mas toda a bancada despejava o lixo em cima do senhor: os copos com as pipas espanholas, os maços de tabaco fumados, tudo. Era o lixo da bancada. Quando foi golo do Sevilla o homem parecia uma estátua.



(Ronaldo festeja um golo em Camp Nou e há telemóveis no ar)


(Maneira correcta de reagir a golo adversário)

Isto que vos escrevo não é uma ameaça de “vou bater-vos se voltarem a fazer isso” – a última vez que andei à porrada devia ter 8 anos, tenho 70 Kg, sou um lingrinhas com um filho e não particularmente corajoso. É só uma questão de respeito. É um pedido de educação. Pedir a alguém que não festeje um golo contra o Benfica no Estádio da Luz é como ter que explicar que não se arrota à mesa ou que não se come de boca aberta. Nunca me ocorreria tirar selfies no jogo de descida do River, nunca me ocorreria festejar um golo do Benfica na central do Dragão ou Alvalade. E digo isto não só por gostar de ter a dentição completa, é porque considero que é o mínimo de educação. Dizer isto não significa não saber conviver com civismo e urbanidade (e é tão triste ter sublinhar isto): durmo todos os dias com a maior portista que existe no planeta Terra e tenho um filho que herdou 50% dos seus genes dela. Como gosto dela e respeito o que ela gosta do seu clube, era incapaz de celebrar um golo decisivo contra o FC Porto à frente dela, no estádio dela, sem ser na bancada visitante.

Há neste problema também uma questão de classe social. Diz-me a minha mulher que os bilhetes para não sócios do próximo jogo do clube dela podem custar trinta euros. Demasiado caro para um adepto normal ir ver um jogo tão normal. O futebol deixou de ser um espectáculo para as massas – e são as massas que gostam de futebol e que sabem comportar-se em futebol e transformaram o jogo no mais lindo do mundo. O que distingue o futebol dos restantes não é a sua beleza estética, não é o seu ritmo, é a paixão que ali está empregue e não existe em mais desporto nenhum. Se enchemos o estádio de pessoas que não percebem isto, o futebol morre. Basta pensar no ridículo que são os concertos pré-jogos importantes (finais de Mundial, finais europeias, etc). Quem é que, antes de um Benfica-Sporting, quer ver um concerto? Podiam por Dave Matthews Band a tocar com o Springsteen e os Radiohead que eu ia estar a marimbar-me. Os concertos, o fogo de artifício e os speakers são para esta nova “geração” que descobriu agora o jogo e que acha tudo aquilo pitoresco. Nós queremos cachecóis no ar, uma frase que metaforize a mensagem “GANHEM COMO FOR” e um ambiente que faça os nossos galvanizarem-se e os outros borrarem-se nas cuecas.


(Jogo de forte rivalidade na NBA)



(só mais um jogo na Argentina)

- Marca o canto, caralho! P´ra cima deeeeeles! BEN-FI-CA! BEN-FI-CA! BEN-FI... Então, caralho? Marca o canto!
- Está a consultar o VAR – dizem atrás de mim. Seguem-se questões, rápidos consensos que, a existir qualquer lance, é óbvio que fica (mais um) penalty por assinalar contra o Benfica. Há tentativas frustres de consultar a net, há conversas paralelas, há um repetido “já merecíamos”, até que há um silêncio. Um silêncio certamente breve para quem for um espectador alheio. Uma pausa que nem se deve ter notada na televisão. E, em silêncio, há um apito, o árbitro manda marcar o canto – e rápido, que já se perdeu muito tempo – e a bola é batida em silêncio e um jogador do Sporting qualquer alivia sem problemas. Um canto em silêncio num derby, numa altura de massacre, pequena metáfora de um caminho até a um novo futebol.
Dizia o Diego Armés já há algum tempo que o VAR é uma coisa para adeptos de sofá. Para quem vai ao estádio, há ali uma pausa absurda, um desconto de tempo, uma coisa anti-futebol que não se percebe, que é anti-natural no mundo das cervejas das roulottes, no mundo das pessoas que sabem de cor os 11, que dizem vezes sem conta “odeio estes filhos da puta” referindo-se ao clube de amigos, vizinhos e familiares. Mas é o nosso mundo. Talvez estas pausas sejam lógicas na cabeça de quem come pipocas no estádio, na cabeça do adepto do Benfica que olhou para mim chocado quando eu gritei ao Coentrão um levezinho “FICA NO CHÃO, FILHO DE UMA GRANDESÍSSIMA PUTA, ATÉ O NATAL PASSAS AÍ, CABRÃO DO CARALHO.” (o jogo estava só nos minutos iniciais, portanto ainda estava subir de forma). Na cabeça desse adepto – do Benfica, repito – eu fui extremamente mal-educado e poderei ter ferido os sentimentos do pobre Fábio. Na cabeça deste senhor, aquela paragem não faz mal nenhum. Qual é a diferença de marcar um canto com o estádio todo aos berros ou em silêncio? Nenhuma. Assim ninguém está a chamar nomes a ninguém. É o futebol limpinho, onde somos todos amigos. Onde desejamos sorte aos adversários nas competições europeias, onde cumprimentamos os rivais pela excelente forma do seu avançado centro, como se ele tivesse escrito um ensaio literário. 

As pessoas riem-se de mim quando eu digo isto, mas isto é irreversível e é só o princípio. No estádio não há repetições? Entram cheerleaders. Há um silêncio? Vamos meter aquela música horrível dos Da Weasel outra vez. Não têm com que se entreter? Entra um adepto que vai tentar marcar um golo do meio-campo! Se conseguir, ganha uma tshirt! E vamos fazer uma kiss cam e se apanharmos um casal com ele à Benfica e ela à Sporting, ainda melhor! E mais turistas virão, e mais pessoas que festejam golos na bancada virão e o número de likes na hashtag #ligaportugal vai subir.
É a gentrificação do futebol. Assim como Lisboa, Porto, Barcelona, Budapeste, Praga e Paris têm milhares de turistas nos seus centros pejados de hostels e Starbucks, já sem locais a lá morar, afastados pelos preços das rendas, também os estádios se vão tornar sítios de turistas locais e estrangeiros, afastando as pessoas que sempre ali tiveram lugar, que iam sempre à mesma roulotte. Que sempre ali moraram. Qualquer dia só lá estão estes:


(Matem-me se eu um dia vestir uma camisola assim)

Cheguei a casa chateado com o empate, mas irritado por perceber que o caminho é irreversível. Na quarta-feira chamou-me a atenção o número inacreditável de pessoas ao meu lado que tiveram um comportamento que eu considero desadequado ao jogo. Desadequado. Se eu, no meio de um espectáculo de ópera, me levantasse e gritasse “Ó GORDO DO CARALHO, NÃO CANTAS UMA MEEEEEEEERDA!” isso seria desadequado e o mínimo era o internamento. Eu percebo isso. Mas isto é futebol. Em futebol, gritar a um adversário que ele é uma merda é como respirar. Desadequado é o contrário.
O futebol é um desporto do povo, que já foi para o povo. Os bilhetes caros, o VAR, as barraquinhas de comida gourmet são passos inexoráveis para a esterilização. Para um futebol onde os estádios vão ser cada vez mais confortáveis, mais caros, os tempos publicitários cada vez maiores e que hão-de estar tão cheios de gajos que lá vão com convites das empresas que ainda vamos ter sectores reservados para “verdadeiros adeptos”, daqueles de antigamente, a quem caberá a tarefa de dar aquele toque de autenticidade que vai ficar bem nas fotos no Instagram. Pelo menos assim o espero. Quer dizer que, ao menos, ainda há espaço para mim.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Um treinador sem tomar banho entra num bar (parem-me se já tiverem ouvido esta)

Em 2015, quando o Benfica anunciou Rui Vitória como treinador, o meu mundo ruiu. Rui Vitória era o último treinador que eu queria na Luz. O seu Vitória tinha ganho uma Taça, mas o futebol era horrível, aos repelões, de pontapé para a frente. O discurso e o tom eram básicos. O ar “humilde” e a boa imprensa faziam-me detestá-lo há muito. A vinda dele para a Luz parecia-me um ataque pessoal e  temi o pior. O que, felizmente, não se confirmou. O Benfica ganhou dois campeonatos, o primeiro dos quais talvez o mais saboroso dos últimos anos. A lição, para um observador mais frio, é que, de facto, o treinador não conta tudo.
Dizer que Rui Vitória é o melhor treinador português porque ganhou os últimos dois campeonatos é como dizer que Roberto Di Matteo é dos dez melhores treinadores da Europa porque foi dos últimos dez a ganhar a Champions: não faz sentido. Já não me lembro quem foi o jogador inglês que disse – e bem – que se todas as equipas da Premier fossem treinadas por gatos, um ia ser campeão e as pessoas iam elogiá-lo. Foi o que aconteceu com Rui Vitória, com a agravante do próprio se ter convencido disso.

Rui Vitória trouxe, além dos seus processos de treinos de equipa de inter-turmas da Escola Joaquim Magalhães e de várias frases que fazem com que seja mais provável vir a ser o próximo Gustavo Santos do que o próximo Guardiola, a sua sorte absurda. A mesma, unida aos espectaculares plantéis do Benfica (para quem não se lembra, Jonas passou 2015/2016 a lutar pela Bota de Ouro), foram uma combinação avassaladora. Nunca, na minha vida, vi o Benfica ter tanta sorte. Pegando no final de 2015/2016, é inacreditável que em tantos jogos tenha havido tantos lances capitais a cair para o nosso lado: o golo de Jonas no Bessa, o golo às 25 tabelas em Vila do Conde, o falhanço de Arnold isolado seguido do remate do meio-campo ao lado sem ninguém na baliza (o Benfica com que eu cresci levava essa bola à trave, batia no Lindelof e entrava), André Almeida a tirar duas bolas na linha de baliza com o Vitória e, claro, o falhanço de Bryan Ruiz. A certa altura, Rui Vitória parecia bom treinador porque parecia um misto de Iemanjá com a nossa senhora de Fátima, abençoadas pelo Nhaga. No ano pós-JJ, com a rivalidade com o Sporting nos píncaros, era impossível explicar a alguém que o Benfica tinha sido campeão apesar de Rui Vitória. E provavelmente continua a ser, mas – como vos disse no início – isto roça o pessoal.



Imaginem que vamos a um bar com uns amigos e o que queremos mesmo mais – porque somos casados, temos um filho e pelo interesse da metáfora –, o grande objectivo da noite é que um amigo nosso (vamos chamar-lhe, aleatoriamente, Rui) saque uma gaja. Disso depende a felicidade do grupo. Chegamos ao bar e Rui não tomou banho e vestiu uma camisa rasgada (mas não tipo grunge dos anos 90, mais estilo peguei-na-primeira coisa-que-estava-no-armário). Rui atira-se à miúda mais gira do bar com uma frase muito sua “Sabes, o meu nome é Rui, e estou aqui para fazer o meu trabalhinho”. A gaja vira-lhe costas e manda TRÊS linguadões em Jorge, um pintas que ali passava.
E nós: “Foda-se, Rui, não podias ter tomado banho? Cheiras mal, porra!”.
- “Calma, vamos acreditar no meu processo”.
- “Qual processo? Não tomaste banho! Cheiras mal! Estás com uma meia de cada cor, Rui!”
Rui coça os tomates, cheira, dá um high-five a Arnaldo, aquele amigo de óculinhos e camisa apertada que parece o Crómio dos Morangos com Açúcar, e diz: “Tomar banho não interessa, interessa é ela compreender-me como ser humano.”
Miraculosamente, porque a miúda – e o plantel do Benfica – se zangam com Jorge, porque ela tem o nariz entupido e não topa o cheiro, porque a única pessoa no bar além de Rui e do ex-namorado Jorge é um cromo do Porto chamado Peseiro que costuma levar éne gajas para casa, mas depois acaba sempre por se esquecer das chaves, ela interessa-se. Naquela noite tudo corre bem: Rui cita Gustavo Santos e ela gosta de Gustavo Santos. Rui não tem dinheiro, mas o gajo do bar diz que estamos naquela hora específica em que não se paga. Rui, cheirando mal, não tem carro para levar a miúda, não tem casa, não tem preservativos, mas Jonas – o amigo fixe do grupo – trata de absolutamente tudo.
E a miúda escolhe Rui. Beija Rui com ardor, para surpresa do próprio Rui, envolve-o nos braços, mexe-lhe no cabelo chocando Arnaldo e levando o grupo de amigos para os copos, no Marquês, até às tantas. Moral da história: devia ou não ter Rui tomado banho? Eu acho que sim, mas quem sou eu? Rui sacou a gaja, o grupo está bêbado e até vai levar o Arnaldo para a noite, valerá a pena gritar: PORRA, BENFICA, PARA A PRÓXIMA SAÍMOS COM UM GAJO QUE TOME BANHO?



Em 2016/2017, já com a equipa há um ano sem treinador, o Benfica sofre uma descida brusca na sua qualidade de jogo. É quase difícil encontrar uma boa exibição do Benfica na época passada até aos 5-0 do título. Mas Rui Vitória volta a vencer e desta vez muito por inépcia dos rivais: JJ perde o balneário após a derrota em Madrid e o FC Porto consegue encontrar o único treinador português ao nível de RV. Mais, mesmo no azar, RV tem sempre estrelinha. O treinador que “aposta na formação” só coloca Ederson a titular depois de uma lesão de Júlio César na véspera de ir a Alvalade e nem assim começa 16/17 com ele. Descobre Gonçalo Guedes – numa forma impossível – porque se lesiona o nosso melhor jogador. Descobre Lindelof porque se lesionam todos os centrais. É como se Rui Vitória andasse em casa a deixar cair taças e saíssem de lá sempre bilhetes premiados do Euromilhões. Rui nem sequer tem de escolher a chave. E nós vamos sair à noite com ele. Rui volta a não tomar banho, Rui já nem escolhe uma camisa, vai de tronco nu.
A noite é absolutamente horrível. O bar é degradante, ninguém se diverte, a música é péssima. O bar continua a ser incrivelmente mal frequentado. Jorge, o ex-da miúda, está a fazer-se a uma Erasmus espanhola que lhe está a roubar a carteira. Há um gajo do Porto, um Nuno, com ar ainda mais cromo que o Arnaldo, com óculos de massa para parecer inteligente, que está a tentar sacar a miúda do bar com desenhos, fazendo-se passar por artista. É um engate sofrível, de chutão para frente.  A miúda do bar (é o campeonato, pessoal, não se percam na metáfora) já nem parece tão bonita, com tão fracos candidatos. E nós, de fora, a torcer pelo Rui, de tronco nu. O Rui, de tronco nu, contra o cromo dos óculos e dos desenhos. Pobre miúda. Há ali um momento em que Rui se põe a falar de Paços de Ferreira, empatando, e o cromo contra-ataca com uma empatada jornada em Setúbal. Já sofremos pela miúda, outrora conquistada por galãs e agora tendo que escolher entre dois cromos. Rui dá um traque à frente dela (aquele jogo em Moreira de Cónegos), Nuno dá outro traque (em Belém). O cheiro é nauseabundo, mas a miúda tem de ser de alguém e é conformada e triste que dá a mão a Rui, que olha vitorioso para nós. Rui, que não tomou banho, Rui, que está de tronco nu. Rui que passa em frente a Jorge, que viu a Erasmus rir-se do seu espanhol. E nós pegamos no Arnaldo e vamos para o Marquês outra vez.



Este ano vamos sair com Rui outra vez. A mãe de Rui não lhe deu tanto dinheiro para roupa, mas Rui também disse que não precisava. Para quê tomar banho se eu saco sempre a gaja? Para quê levar camisa? Desta vez vou sem calças! E os mais frios de nós, aqueles que queriam mesmo que isto corresse bem, não podem deixar de detestar a mãe de Rui e ao mesmo tempo perceber que, mais cedo ou mais tarde, uma noite horrível era inevitável. E está a ser uma longa e humilhante noite: Rui entrou de cuecas no bar e foi rejeitado seis vezes pelo grupo de Erasmus da mesa do canto. Nenhuma sequer sorriu ou o empatou com uma desculpa qualquer. Zero. Mas Rui vem à nossa mesa e diz que foi azar.
“Como azar, Rui? Estás de cuecas, caralho!”
“São umas esquisitas, pá. Tive azar, que tive mesmo comichão quando estava a falar com ela e cocei os tomates. Deu mau aspecto e elas cagaram. Infortúnios.”
“Porra, Rui, aconteceu-te isso com as SEIS?”
A noite está a ser muito difícil e adivinha-se longa. Jorge, o ex-namorado, não se aproximou tanto da mesa das Erasmus. Há um Sérgio, do Porto, que não fode com ninguém há 4 anos e está louco. E o Rui está de cuecas a ler Gustavo Santos, à espera que a miúda vá falar com ele (“estou a fazer-me difícil”). E o nosso problema, benfiquistas, é que a nossa felicidade depende do facto de Rui sacar ou não a gaja.

Os defensores de Rui Vitória (normalmente pessoas que odeiam Jorge Jesus) dirão que não há duas sem três. No fundo, acreditam que cheirar mal é uma vantagem. Os mais frios que eu dirão que a culpa é da falta de direcção da mãe de Rui, que podia ao menos comprar-lhe desodorizante. Eu não acho impossível que Rui volte a sacar a miúda e percebo que a mãezinha do Rui tem muita culpa. Mas podemos mesmo defender um cromo que sai à noite sem tomar banho? Que acha que “o treino não é o mais importante”? Que diz que “há jogos que têm de ser ganhos e outros que têm de ser jogados”? Que quando uma Erasmus suíça, uma gaja feia como tudo, lhe dá cinco chapadas na tromba, diz que está bem com a vida?
Porra, não gostavam de sair à noite com um amigo que tomasse banho? Que não dissesse só umas frases feitas? Cujo melhor amigo tem um ar de que nem a eleição para delegado de turma ganha?


Se dependesse de mim, Rui facturava todas as noites e o grupo acabava sempre a rir e a comer um caldo verde e um pão com chouriço na Merendeira depois de mais uma noite de glória. Mas custa-me que o cheiro de Rui só vá ser comentado numa noite de celibato. Que esse dia chegue o mais tarde possível. Até lá, todas as noitadas vão ser um sofrimento.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

O meu problema com Aboubakar

Não sei se por necessidade, não sei se por estratégia, não sei se por ambas de igual forma, o FC Porto de 2017/2018 não irá contratar muitos jogadores. E, porque falamos de uma equipa que não ganha há quatro anos, isso deixa-nos nervosos. Estamos no fim de julho e era suposto estarmos entusiasmados com o avançado goleador que chegou ou o novo extremo que faz muitas fintas nos treinos. Ainda por cima, olhamos para o lado e vemos muitas contratações, umas até sonantes, outras ameaçadoras, muitas só para emprestar jogadores e amealhar amigos.

E nós, nada. Um guarda-redes não sei bem porquê, talvez um médio e oremos, oremos muito, um avançado. Correndo o (pouco) risco de ainda vir aí um mês cheio de novidades, acho que já podemos constatar que o FCPorto de 2017/2018 vai ter mais reforços do que contratações. E, porque falamos de uma equipa que poucos jogadores tem potenciado nos últimos anos, isso deixa-nos nervosos. Temos laterais que cheguem, médios ofensivos de certas características também, mas esperamos que Danilo jogue todos os minutos de todos os jogos. E decidimos recuperar muitos. Os centrais suplentes são dos tais que não mostraram muito na primeira oportunidade e vamos acreditar que melhoraram. Os extremos são os mesmos e vamos acreditar que chegam. Há regressos desejados - Ricardo Pereira -, há regressos obrigados - Marega -, há regressos misteriosos - Sérgio Oliveira. Há de tudo e vamos ver o que acontece.

Ora, seja por necessidade, por estratégia, ou por ambas, isto resumidamente até me parece inteligente. Claro que preferia estar a ir buscar o avançado goleador ou o central revelação que daqui a um ano ou dois seria vendido por 40 milhões, mas também já estava na hora de se parar de contratar dezenas de flops por muitos euros. Não me oponho a regressos, desde que haja algum fundamento. Ou seja, desde que o treinador acredite sinceramente que pode melhorar aquele jogador e que, para o que quer da equipa, faz mesmo falta aquilo que ele lhe pode dar. Só que são tantos estes regressos que eu desconfio que o treinador não teve assim tanto por onde escolher. Mas pronto, uma coisa é certa: não vamos cometer muitos erros no mercado este ano.


O meu problema é lá à frente. Do que temos visto até agora, o treinador parece preferir jogar com dois avançados, com dois alas e ainda Óliver, o que significa que o FC Porto de 2017/2018 vai querer atacar muito, rematar muito, marcar muitos golos. O que vi atentamente nos primeiros 45 minutos de Guimarães foi muito do que já vi - preparem-se - com Jorge Jesus no benfica. Equipa lançada para a frente, velocidade, passes rápidos, remates de todo o lado. Uma tentativa de rolo compressor. Correndo o risco de isto ainda mudar muito, parece mais ou menos certo que esta equipa não vai empatar muitas vezes a 0, como na época passada. E eu não tenho grandes problemas com isso, se houver plantel para tal.

Acreditando que o pouco bom trabalho de Nuno Espírito Santo se mantém (a solidez defensiva) e colocando em Danilo todas as nossas esperanças de travar o meio-campo adversário, um ataque que signifique muitos golos é meio caminho andado para conseguir o título. O campeonato faz-se de muitos pontinhos ganhos quando não se joga nada, mas se marca aquele golito fulcral. E faz-se sobretudo contra equipas que só querem defender contra nós, por isso nada melhor do que dar-lhes o que querem e marcar logo um ou dois golos nos primeiros 20 ou 30 minutos para acabar com a questão. Vamos a isso, então, não é estratégia que em princípio me encante, mas ao fim de quatro anos sem ganhar juro que já nem sou esquisita!

Bem, Óliver para mim é indiscutível, Brahimi, por muito que me custe, é decisivo e, não havendo melhor, sou capaz de conviver com Otávio e Corona. André André poderá dar uma ajuda quando for preciso ganhar músculo, Herrera, por muito que me custe, poderá dar uma ajuda quando for preciso... entrar Herrera e João Teixeira não é horrível com os pés. Marega e Hernâni não sei o que dizer, é esperar. E, depois, os rapazes dos golos.

Sérgio Conceição manteve Soares e eu gosto daquele Soares combativo, que mete o corpo à frente dos outros, que até sabe ganhar aquela falta essencial, que discute com o bruto do central que já arrumou um morcão de um André Silva qualquer com dois toques na canela, que marca golos. Soares não é um poço de talento, não nasceu com pés fora do normal, nem é especialmente atraente a jogar. Não consigo, aliás, destacar-lhe uma característica física ou mental acima da média. Só que, no conjunto, Soares é um bom avançado e garante-nos golos. E eu não tenho nenhum problema com isso. O ano passado assustei-me quando as defesas contrárias pareceram começar a acertar na sua marcação e os golos diminuíram, mas quero acreditar que faltou treinador nesses momentos. Portanto, Soares, fixe. Siga.

André Silva saiu por um óptimo preço e era preciso arranjar alguém que completasse Soares. Aliás, que melhorasse Soares. Porque Soares, lá está, é bom, mas não pode ser a principal esperança de um FC Porto que quer, tem de, ser campeão. Vamos só fazer um exercício horrível de olhar para o lado: Bas Dost, Doumbia, Jonas, Mitroglou, Jimenez, um "Ic" qualquer que já marca... Assusta um bocado, certo? Não vamos lá com Depoitres, pois não?

E foi então que, ou por necessidade, ou por estratégia, ou por sabe-se lá o quê, decidimos recuperar Aboubakar. E é aqui que quase perco as palavras, confesso. Vou já quebrar o gelo: eu detesto o Aboubakar. Desculpem, não há outra maneira de dizê-lo. Uma coisa é uma pessoa fazer piadas com a falta de jeito de um Depoitre ou com as mil e uma asneiras de um Herrera, e a verdade é que parte de mim fica triste por eles, são jogadores do FC Porto e eu tenho uma queda natural para adoptá-los como membros da família e desejar-lhes sempre o melhor na vida... Outra coisa é ter de levar outra vez com o Aboubakar.

Sim, já sei. O Aboubakar tem tantas características de um bom jogador! Tem técnica, tem força, é rápido, sabe rematar, sabe passar, desmarca-se, marca golos! Uau! Eu sei disso! Eu já vi isso! O Aboubakar é o contrário do Soares: tem todos os pontinhos isolados, só lhe falta o conjunto. A sério, admitam lá: o Aboubakar é um bom avançado? Para o FCPorto? Desde quando? Não me digam que ele foi para a Turquia (foi para a Turquia? Ou Sibéria? Sei lá, foi merecido) e se transformou! O Aboubakar terá passado a ser um ponta-de-lança aniquilador e eu é que não reparei?

E não, não falo de marcar 40 golos por época tipo Jardel. O meu problema com o Aboubakar é outro. Já vamos em quatro anos sem ganhar e eu já não posso ver à frente meninos ingénuos que acreditam no Pai Natal azul e em unicórnios a apitar jogos. São quatro anos de muita malta que passou por aqui a dar uns toques, como se aquela camisola não valesse nada, como se cada golo, ou cada ponto, ou cada penálti roubado não fizesse sentir nada. É muito tempo a ver braços caídos, caras de derrota, olhos perdidos. Já não posso mais.

E sim, já sei que o treinador acredita nele, mas aos 25 anos já se devia ter mostrado o suficiente para não se ter de "acreditar", mas sim saber. E claro, que bom o treinador tê-lo convencido a ficar. CONVENCIDO! A FICAR! PORQUE É PRECISO CONVENCER UM JOGADOR MEDIANO QUE ANDA POR AÍ NUMA TURQUIA OU SIBÉRIA QUALQUER A QUERER FICAR NO FUTEBOL CLUBE DO PORTO! NO FUTEBOL CLUBE DO PORTO! NO MEU CLUBE, QUE TANTAS ALEGRIAS ME DEU E QUE TANTOS JOGADORES E EX-JOGADORES TEM ESPALHADOS PELO MUNDO A FALAR DE NÓS COMO O MELHOR CLUBE DO MUNDO! É NESSE CLUBE, NESSE ENORME CLUBE, NESSE CLUBE QUE ME FAZ PENSAR EM TODAS ESTAS COISAS QUE NÃO DEVIAM SER ASSIM TÃO IMPORTANTES NA MINHA VIDA, COMO SE O RICARDO PEREIRA DEVE OU NÃO SER ADAPTADO MAIS À FRENTE NO CAMPO, É NESSE CLUBE QUE O ABOUBAKAR TEM DE SER CONVENCIDO A FICAR! OH, POBRE ABOUBAKAR! PODIA ESTAR NESTA ALTURA NUM GRANDE CLUBE DA TURQUIA OU DA SIBÉRIA OU O C#/&!%# E ESTÁ NO FUTEBOL CLUBE DO PORTO! AINDA BEM QUE O CONVENCERAM A FICAR!

O Aboubakar, não sei se fui suficientemente clara, mas tem de mostrar muito para me convencer. Neste momento, ainda acredito que, se ele sofresse este penálti, ia levantar-se, abraçar o Lindelof, pedir-lhe desculpa por ter tentado passar por ele tão rápido e recordar-lhe todos aqueles bons tempos em que ele jogava no benfica, um grande clube de Portugal que o Aboubakar iria dizer que respeita muito e que obviamente que tinha merecido ser campeão quatro anos consecutivos, porque aquilo dos árbitros, continuaria ele a dizer, era um grande exagero e, afinal de contas, os erros também fazem parte do jogo.


Não dá, não me peçam para esquecer tudo o que já passei com este rapaz e agora acreditar, de repente, que ele vai tornar-se numa máquina de marcar golos que beija o símbolo do FC Porto e põe os adversários a tremer. Mas garanto-vos: se o Aboubakar fizer uma grande época, se marcar muitos golos, se formos campeões, se ele se atirar para o chão e sacar um penálti no Estádio da Luz e ainda conseguir que o vídeo-árbitro diga não só ao árbitro principal (o Manuel Mota) que o central do benfica tem de ser expulso, mas também, e passo a citar, "ACABOU-SE O COLINHO, QUEM MANDA AQUI É O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!", então aí, prometo, venho aqui escrever um texto a pedir-lhe desculpa. Ou então a reclamar os louros de ter feito os adversários acreditarem que não tinham com que se preocupar. Logo veremos. 

Agora, por favor, não lhe mostrem isto. Vamos todos, por esses estádios fora, fazer de conta que isto não se passou. Vamos todos acreditar! 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Video killed the football star

26 de Maio de 1989. O Arsenal, há 18 anos sem ser campeão, precisa de ganhar por dois em Anfield Road para ser campeão. A vencer 0-1, um tal de Michael Thomas, nos descontos do campeonato, fez isto:
Podia pedir-vos para imaginarem o que sentiu um adepto do Arsenal, mas felizmente - oh, felizmente! - isso já foi feito por Nick Hornby no inigualável Fever Pitch, num capítulo que Hornby titularia - sem surpresas para qualquer adepto que se preze - The Greatest Moment Ever. E aqui, de facto, as pessoas que não gostam de futebol não podem perceber a emoção que se sente num momento destes e Hornby é um escritor tão brilhante a verbalizar o que nós, fanáticos, sentimos, que sou obrigado a transcrever uma página inteira (deliciem-se):

"What is the correct analogy for a moment like that? (...) The trouble with the orgasm as metaphor here is that the orgasm, though obviously pleasurable, is familiar, repeatable (within a couple of hours if you’ve been eating your greens), and predictable, particularly for a man – if you’re having sex then you know what’s coming, as it were. Maybe if I hadn’t made love for eighteen years, and had given up hope of doing so for another eighteen, and then suddenly, out of the blue, an opportunity presented itself … maybe in these circumstances it would be possible to recreate an approximation of that Anfield moment. Even though there is no question that sex is a nicer activity than watching football (no nil-nil draws, no offside trap, no cup upsets, and you’re warm), in the normal run of things, the feelings it engenders are simply not as intense as those brought about by a once-in-a-lifetime last-minute Championship winner. None of the moments that people describe as the best in their lives seem analogous to me. Childbirth must be extraordinarily moving, but it doesn’t really have the crucial surprise element, and in any case lasts too long; the fulfilment of personal ambition – promotions, awards, what have you – doesn’t have the last-minute time factor, nor the element of powerlessness that I felt that night. And what else is there that can possibly provide the suddenness? A huge pools win, maybe, but the gaining of large sums of money affects a different part of the psyche altogether, and has none of the communal ecstasy of football. There is then, literally, nothing to describe it. I have exhausted all the available options. I can recall nothing else that I have coveted for two decades (what else is there that can reasonably be coveted for that long?), nor can I recall anything else that I have desired as both man and boy. So please, be tolerant of those who describe a sporting moment as their best ever. We do not lack imagination, nor have we had sad and barren lives; it is just that real life is paler, duller, and contains less potential for unexpected delirium." 

É impossível explicar melhor do que isto. Em 2004, em plena febre do Europeu, lembro-me da T. (casada hoje com um grande Benfiquista), a caminho de um Bairro Alto em festa com a passagem de Portugal à final do Europeu, me perguntar: "Porquê? Porquê com futebol e por que não com basket ou outro desporto?". E o A., portista distante, explicou-lhe que o golo em futebol era uma coisa rara e completamente imprevisível, e que isso tornava este desporto diferente de todos. Haverá, com certeza, mais de um milhão de motivos para o futebol ser tão especial - as raízes históricas, a ligação às classes populares - mas o jogo em si tem este momento absolutamente genial, incrivelmente surpreendente e que parece mudar uma vida. Toda a gente sabe onde estava e como festejou o golo do Éder e lembrar os abraços, o que se sentiu quando a bola bateu na rede, o que sentiu naquele micro-segundo de silêncio antes de soltar tudo cá para fora, é futebol. É o futebol. E isso vai morrer com o vídeo-árbitro.

Os golos do Benfica decidem e mudam a minha vida, literalmente. Como tal, só festejo os golos do Benfica depois de ver o árbitro a apontar para o meio-campo (gesto para o qual estou treinadíssimo, mas que me atrasa às vezes uns 0,2 segundos em relação ao grito geral). Festejar plenamente um golo do Benfica e depois ver o golo anulado (como aconteceu no hóquei em patins) é mais ou menos o mesmo que o amor da nossa vida dizer-nos sim, que quer ficar connosco, e quando nos vai beijar dizer "Epá, esquece, vou ter com o meu marido" e o gajo chega e é um tipo enorme e mais bonito do que nós, e beija-a como nós nunca a vamos beijar e depois saem do carro os três filhos lindíssimos deles. E depois um autocarro atropela-nos. Ora, para evitar desgostos destes, as pessoas que sabem ver futebol jamais festejam um golo quando há um passe a rasgar sem imediatamente olharem para o fiscal-de-linha (as pessoas que gritam golo com o fiscal de bandeira levantada há cinco segundos deviam ser banidas do futebol para todo o sempre). 
Com o vídeo-árbitro, o que vai acontecer é que os festejos serão atrasados insuportavelmente, até o futebol ser tão asséptico que se vai tornar um desporto betos-friendly e dos espectadores ocasionais que perguntam a que horas são os jogos da Champions mesmo quando eles não se jogam em Kiev. Passo a explicar: acontecer-nos-à, a todos, festejar um golo com a equipa normalmente e esse golo ser retirado três minutos depois. Acontecerá tantas vezes que nos vamos habituar a ter que esperar sempre esses três minutos. Sempre. Remates de longe, pontapés de bicicleta, livres, cantos, contra-ataques. Nunca mais vamos festejar ao som da bola a bater na rede, a não ser que sejamos maluquinhos sem sentimentos, sem medo da rejeição que pode aí vir. Vai sempre dar para uma pausa, uma revisão, a ver se a meio do lance não houve nada. E pode sempre haver. Esse tempo de espera vai-se instalar dentro do jogo, dentro de nós. Com jeitinho, aproveitaremos o momento do golo - enquanto o vídeo-árbitro se decide ou não - para irmos à casa de banho. Ao futebol e aos golos retirarão a espontaneidade e emoção. E acreditem, se este deporto tem tanto sucesso ao fim de um século, é porque fotografias destas são impagáveis.


É óbvio - porque estamos em Portugal - que vão dizer que eu sou contra o VAR porque sou do Benfica. A vida é mesmo assim e vivemos tempos estranhos e tristes, onde o Futebol Clube do Porto ataca o Benfica por corrupção e o meu clube não tem uma resposta à altura, o que é mais ou menos do que o Bibi nos gritar "ÉS UM G`ANDA PEDÓFILO!" no meio do Chiado e uma pessoa baixar a cabeça.
Mas não, não sou contra o VAR por causa de Bruno de Carvalho. Sou contra o VAR porque acredito que a emoção é um factor mais precioso ao futebol do que a justiça absoluta (que nem sequer vai ser alcançada pelo VAR. Cá em casa, nem com 238287863 repetições concordamos com nenhum lance. Eu ainda acho que Katsouranis não fez falta no Anderson e acho que as pessoas que veem isso têm problemas visuais - o que justifica porque é que a minha mulher casou comigo). No dia em que o futebol deixar de me fazer gritar e eu tiver que esperar para saltar da cadeira, acho que o jogo não é o mesmo. Exceptuando coisas pontuais, como a tecnologia da linha de golo, o VAR transformará o futebol noutra coisa qualquer.

Vou mais longe: o golo do Kelvin foi o pior momento futebolístico da minha vida. Foi de uma violência literária que nem 4 campeonatos de seguida e o prazer de ver o FCP a jogar com Depoitre podem apagar. Aquela bola - aquela puta daquela bola - ficou-me atravessada para a vida e não há Benfiquista que não sinta hoje o baque daquela merda, a filhadaputa da rede a mexer e o mundo a desabar. Faz parte. Do outro lado, imagino que tenha sido um presente dos deuses. Adiar esse momento torná-lo-ia diferente, torná-lo-ia outra coisa qualquer, não tão marcante, não tão literária, não tão futebolística. Era como se a meio do sexo fossemos todos obrigados a parar e conferir os nossos cartões de cidadão. 


Aos portistas aconteceu, em 2014/2015, um golo ser anulado na Champions após cerca de 5 minutos do mesmo. Mais do que o ser ou não ser golo, a sensação do esperar, de ficar sem saber, é anti-clímax, é contra-natura num jogo de futebol e foi isso que a minha mulher descreveu. Ainda ontem, a viajarmos, ouvimos o Portugal-México e depois de um daqueles "Goooooooooooooooooooooolo" da rádio, seguiu-se um praticamente cómico: "Esperem, vídeo-árbitro". Para já, reina a sensação de irrealidade e uma certa permissividade porque é a Taça das Confederações, mas quando o jogo dos nossos clubes entrar neste modo de coito interrompido permanente e os miúdos começarem a pedir vídeo-árbitro no futebol de rua, talvez se apercebam que o que está em causa não é uma arma de arremesso entre clubes, mas o jogo em si. O problema do vídeo-árbitro é que traz consigo a melhor das intenções - que o jogo fique mais limpo e mais credível - mas tem o problema de o ferir na alma e o perigo de o tornar irreconhecível. É como se eu pedisse uma limpeza à minha casa e me colocassem num apartamento impecável, mas em Bucareste. Não era propriamente o que eu tinha pedido. Mais: como qualquer discussão em qualquer rede social vos mostrará, os defensores do VAR usam a moralidade como escudo e a maioria dos oponentes do VAR têm como argumentário as suas falhas. Mas a discussão é muito mais profunda e ideológica e não pode ser discutida à Pedro Guerra, Dolbeth e Serrão. Ser contra o VAR não é ser a favor dos roubos, não é querer o árbitro do nosso lado, mas é um assumir que a procura insana da justiça, do fora-de-jogo ao milímetro, vai retirar gritos, alegrias e tristezas. Não é o retirar a minha alegria para dar a outro (porque um lance foi invalidado) que está em causa, é que a minha alegria será diferente. 

Um jogo que proporcionou o melhor momento da vida de escritores não pode estar assim tão errado para o querermos mudar. Faria algum sentido ter que esperar 3 minutos antes de dar este berro? 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Questionário sobre corrupção

Se quer saber se o seu clube é corrupto e se está preparado, como adepto, para essa revelação, responda às seguintes perguntas e siga o caminho indicado até à resposta final:


1. O que pensa sobre a corrupção no desporto?

a) Sou contra, porque é moralmente incorrecto e enviesa os resultados obtidos (siga para a pergunta número 2)
b) Sou a favor, porque quero ganhar mais do que os outros (parabéns, é um excelente adepto e qualquer clube adoraria tê-lo, pode dar por terminado o inquérito)

2. O que pensa sobre emails que indiciam práticas de corrupção no desporto?

a) Que devem ser investigados (siga para a pergunta número 3)
b) Que, sendo os emails privados, deve averiguar-se os meios eventualmente ilegais em que foram obtidos (siga para a pergunta número 4)
c) Que, se envolverem o meu clube, nem me parecem indiciar nada além de um extremo bom gosto religioso sobre a prática de missas e a escolha de padres (siga para a pergunta número 5)

3. Quem deve investigar esses emails?

a) Uma equipa especial do Ministério Público que, de preferência, tenha uma boa relação com alguns jornalistas para nos ir dando conta da investigação e assim termos o que comentar com os amigos enquanto não há bola (siga para a pergunta número 5)
b) O Pedro Guerra e aquele senhor, o Fernando Santos, que uma vez ligou para a benfica TV a explicar aos energúmenos que o Luís Filipe Vieira é um excelente primeiro-ministro, perdão, presidente (siga para a pergunta número 10)

4. A maneira como são obtidos os emails é importante, porque...

a) Porque tenho um amigo do FCPorto que me disse que as escutas de conversas privadas eram ilegais e agora tendo a concordar com ele (siga para a pergunta número 5)
b) Porque tenho um amigo do Sporting que me disse que quando uma pessoa importante no clube age mal é em conta própria e o clube obviamente sai ileso e agora tendo a concordar com ele (siga para a pergunta número 8)

5. Qual é a sua opinião sobre o Apito Dourado?

a) O Pinto da Costa é feio como o João Mário (parabéns, o seu nível de argumentação está ao nível Bruno Carvalho, pode dar por terminado o inquérito e seguir já para a p#%a da gala)
b) O FCPorto foi extremamente beneficiado naqueles jogos contra o Beira-Mar e o Estrela da Amadora e só não vê quem não tem vídeo-árbitro (siga para a pergunta número 6)
c) Já achei que tivesse sido mais importante, por amor de Deus, o FCPorto ganhava tudo cá e na Europa e alguém acredita que fossem os árbitros? (siga para a pergunta número 8)

6. Durante o Apito Dourado, foi visto a dizer qual destas frases:

a) "Se isto fosse com o meu clube, eu deixava de torcer por ele" (porra, que estupidez, reveja lá isso)
b) "Se eu tivesse a menor suspeita de corrupção no meu clube, seria o primeiro a denunciá-lo" (siga para a pergunta número 8)
c) "As pessoas do Porto são todas corruptas, cheiram mal e as francesinhas nem sequer são melhores do que couratos" (siga para a pergunta número 7)

7. Qual é o seu maior medo em relação a emails que indiciam práticas de corrupção no desporto?

a) Que os resultados do meu clube fiquem associados a isso (siga para a pergunta número 8)
b) Medo? Eu não tenho medo. Sou muito homem (regresse à pergunta número 1, algo falhou)

8. Na remota hipótese de o seu clube ser visado em emails que indiciam práticas de corrupção no desporto, o que teria a dizer aos adeptos de outros clubes?
a) Que, obviamente, qualquer denúncia nesse sentido seria nada mais do que uma tentativa de distração dos seus problemas internos (siga para a pergunta número 9)
b) Que vão para o car@$&0 (parabéns, esta é sempre a melhor resposta, pode dar por terminado o inquérito)

9. Qual o seu principal desejo para a próxima época?

a) Que o meu clube seja campeão (parabéns, TAMBÉM EU!)
b) Que o vídeo-árbitro tenha sucesso (você é um choninhas, abandone este blog por favor)
c) Que os árbitros não sejam sujeitos a pressões e possam exercer o seu trabalho da melhor forma, principalmente o Jorge Ferreira, o Nuno Almeida, o Manuel Mota, o Vasco Santos, o Rui Silva, o Hugo Pacheco, o Bruno Esteves e o Paulo Baptista (siga para a pergunta número 10)

10. O seu clube é...

a) O do Calabote, dos vouchers, do "pode ser o João", do Kadhafi dos pneus, da porta 18, do Estorilgate, do Vale e Azevedo, do ... preencher com mais cenas ... (parabéns, cá estaremos para lhe ir dando conta da situação)
b) Um dos que não tem ganho, mas que vai dar luta (parabéns e viva o Futebol Clube do Porto!)
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